TRUNA / EM DESENVOLVIMENTO

As histórias
ficam na ilha.

A Coroa da Maré · Livro I
Leia as 12 páginas de O sino sob a terra.

ARTE CONCEITUAL DO UNIVERSO TRUNA

A MEMÓRIA DA ILHA

A Coroa da Maré.

Livro I · Capítulo 1 · O sino sob a terra

Universo de Vinicius Faria

Abertura reescrita

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PÁGINA 01

01 Os ratos na trilha

Lucca encontrou o primeiro saco rasgado pouco depois do amanhecer. Estava caído junto ao pomar, fora dos limites seguros da cidade de Truna. A farinha se espalhava pela terra.

O caçador se agachou. Havia marcas de dentes no tecido e pegadas pequenas entre as raízes. Ele conhecia aqueles sinais: ratos tinham passado por ali durante a noite.

Nagore aguardava na estrada com uma cesta de ervas. A comerciante precisava voltar à sua loja de poções, mas os animais bloqueavam o caminho.

Nagore: Consegue liberar a trilha? Ainda tenho remédios para preparar.

Lucca: Fique perto dos marcos. Vou ver por onde eles estão vindo.

Lucca contornou uma árvore. Perto das raízes, três ratos disputavam os restos de outro saco. Um deles avançou quando o caçador se aproximou. Lucca recuou e manteve a lâmina entre o animal e suas pernas.

Então os três pararam.

As cabeças se voltaram para uma abertura no barranco. De dentro dela surgiram mais ratos, correndo uns sobre os outros. Os que estavam junto à farinha abandonaram a comida e fugiram na mesma direção.

Nagore: O que assustou todos eles?

Lucca olhou para a entrada escura da galeria.

Lucca: Ainda não sei. Mas veio lá de dentro.

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02 O som que veio do chão

Antes que Lucca se aproximasse da galeria, o chão vibrou sob suas botas. Em seguida, uma batida grave atravessou o pomar. Parecia um sino enorme, tocando muito abaixo da terra.

Nagore segurou a cesta com as duas mãos. Lucca se afastou do barranco. Um pouco de terra caiu da entrada, mas nenhum deles viu o que havia provocado o som.

Na cidade, Void interrompeu o trabalho de afiar uma espada. A armeira pousou a lâmina na bancada e saiu até a porta da loja. Um escudo ainda balançava no suporte da parede.

Do alto da colina, Nabido apareceu diante do templo. O guardião olhou para o sino acima da entrada. A corda estava parada.

Void: Nabido! Esse toque veio do templo?

Nabido: Não. Ninguém tocou o sino.

Lucca acompanhou Nagore de volta à cidade. Os ratos permaneceram do lado de fora, espalhados entre o pomar e a vegetação. Quando o caçador chegou à loja de armas, Void já o esperava.

Lucca: Os ratos saíram das galerias antes da batida. Havia comida no chão, mas eles fugiram.

Void: Alguma entrada desabou?

Lucca: Vi terra caindo. Não cheguei perto o bastante para saber.

Void examinou a poeira nas botas dele. Depois retirou uma corda do suporte.

Void: Vou com você. Primeiro olhamos a entrada. Não vamos descer sem saber se existe caminho de volta.

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03 Armas, corda e uma pergunta

Void colocou a corda sobre o balcão e conferiu as tiras de um escudo. Lucca esperou enquanto ela testava cada fivela. Naquela loja, uma peça danificada nunca era entregue sem reparo.

Lucca: É só uma inspeção.

Void: Foi o que eu ouvi. Ainda assim, leve o escudo.

Lucca passou o braço pela correia. Perto da porta, havia caixotes antigos, marcados pelo sal. Void chegara à ilha de barco, trazendo armas e ferramentas de uma terra distante. Sobre o tempo anterior à chegada, dizia muito pouco.

Lucca: Já encontrou animais fugindo assim?

Void parou de enrolar a corda.

Void: Já vi gente ignorar os sinais de uma caverna. Não recomendo.

Lucca esperou, mas a armeira guardou a corda e mudou de assunto.

Void: Se os ratos tiverem espaço para fugir, deixe que fujam. Se atacarem, proteja-se. Não precisa perseguir cada um pelo mato.

Lucca: Para alguém que vende espadas, você dá muitos motivos para guardar uma.

Void: Uma boa arma não escolhe seu dono. São suas escolhas que dão valor à lâmina.

Nagore entrou com duas poções e as colocou ao lado do escudo.

Nagore: Levem. E voltem antes de precisarem de uma terceira.

Lucca agradeceu. Void fechou a loja e acompanhou o caçador até a saída. Nabido permaneceu na cidade, atento ao caminho por onde os dois haviam partido.

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04 O caminho do pomar

Ao voltar ao pomar, Lucca encontrou quatro ratos junto ao saco de farinha. A fuga tinha diminuído, mas os animais ainda estavam agitados. Dois avançaram assim que perceberam a aproximação.

Void: À esquerda, Lucca!

Lucca ergueu o escudo a tempo de bloquear o primeiro salto. Deu um passo para trás e atingiu o rato com a espada. O segundo contornou uma raiz e avançou contra Void. A armeira desviou e o derrubou com um golpe curto.

Os outros dois desapareceram entre as árvores. Lucca não os seguiu. Esperou para ter certeza de que a trilha estava livre e então se agachou perto das pegadas.

Lucca: Nunca vi tantos deixando a toca ao mesmo tempo.

Void: O que mostram os rastros?

Lucca: Quase todos vêm da galeria. Há marcas antigas nas duas direções, mas as novas apontam para fora.

Void acompanhou o caçador até a entrada. Uma rachadura recente atravessava o barranco. Pequenas pedras tinham caído sobre o primeiro trecho do caminho subterrâneo.

Void: O teto pode ceder. Vamos marcar a entrada e avisar os outros.

Enquanto Void amarrava a corda entre dois troncos, Lucca examinou uma pedra estreita junto à estrada. Havia um sulco entalhado na superfície, quase escondido pela terra.

Ele afastou as folhas com a ponta de um galho. O desenho parecia um elo de corrente.

Lucca: Void, esta marca já estava aqui?

A armeira se aproximou. Antes que respondesse, outra vibração percorreu o chão.

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05 A voz na pedra

A segunda batida foi mais fraca. Mesmo assim, os dois sentiram a terra tremer. O sulco na pedra ganhou um brilho pálido, visível entre os restos de barro.

Void: Afaste-se da pedra.

Lucca recuou. Do entalhe veio uma voz rouca, masculina. O caçador olhou atrás do marco, mas não havia ninguém ali.

Voz na pedra: Mantenham o portão fechado.

Um estalo interrompeu a voz. Soou como uma tábua se partindo. A luz enfraqueceu e desapareceu.

Lucca permaneceu com o escudo levantado. Void observava o lugar onde o sulco tinha brilhado.

Lucca: Foi a pedra que falou?

Void: O som veio dela.

Lucca: Que portão? Não existe portão neste caminho.

Void: Pode ser um aviso antigo. Ou pode haver algo lá embaixo que ainda não encontramos.

Lucca se inclinou para olhar a marca outra vez. Void segurou seu braço antes que ele se aproximasse demais.

Void: Não vamos arrancar nem quebrar essa pedra. Nabido precisa ver a marca como está.

Lucca tirou da bolsa um pedaço de papel e copiou o desenho. Abaixo dele, anotou a frase que ouvira. Na margem, acrescentou a posição da galeria.

Lucca: Você reconheceu a voz?

Void demorou um instante para responder.

Void: Não. E não sei se alguém está falando agora ou se estamos ouvindo algo que ficou guardado.

Os dois voltaram à cidade. A corda ficou diante da entrada danificada, impedindo que alguém se aproximasse sem perceber o risco.

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06 O registro do templo

Nabido recebeu Lucca e Void na entrada do templo. Nagore também estava ali. O guardião esperou o caçador terminar o relato e depois abriu o papel sobre uma mesa.

Nabido: Esta marca aparece em alguns registros antigos. Eles chamam o material de Pedra de Eco.

Lucca: Então existe alguém preso dentro dela?

Nabido: Os textos dizem que certas pedras guardavam vozes e avisos. Isso não significa que a pessoa ainda esteja ali.

Nabido procurou entre os registros do templo. Voltou com uma folha desgastada e a colocou junto ao desenho de Lucca.

No alto da folha havia a mesma marca de corrente. Mais abaixo, uma anotação descrevia uma batida sentida no chão. A assinatura no fim do texto tinha sido raspada.

Nagore: Alguém ouviu esse som antes?

Nabido: É o que está escrito. Mas este trecho não explica a causa.

Void: E o portão?

Nabido: Não é citado aqui. Há um escrito mais completo nas ruínas. Um Pergaminho Antigo que ainda não conseguimos recuperar.

Lucca: Ele fala dessas pedras?

Nabido: Pode ajudar a entender os sinais. Preciso lê-lo para saber.

Nagore passou os olhos pelo desenho e pelo relato da fuga dos ratos.

Nagore: Então não basta liberar a trilha. Se o problema continuar nas galerias, eles vão sair de novo.

Lucca assentiu. A caçada tinha resolvido o perigo imediato. Agora havia uma entrada danificada, uma voz sem origem conhecida e um aviso que ninguém sabia interpretar.

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07 A primeira busca

Antes do meio-dia, Lucca voltou à saída da cidade. A trilha estava livre, e os sacos que ainda podiam ser aproveitados foram recolhidos. A corda diante da galeria continuava no lugar.

O caçador preparou um aviso para quem procurasse trabalho. A missão Ratos nas trilhas continuaria disponível: era preciso manter os caminhos seguros para a passagem de alimentos e remédios.

No templo, Nabido separou um espaço para examinar o Pergaminho Antigo quando ele fosse recuperado. A busca nas ruínas passara a ter uma razão urgente.

Void retornou à loja e conferiu as tochas. Nagore organizou poções para os que partissem. Cada um tinha uma tarefa, mas os quatro aguardavam o mesmo sinal: outra batida sob a terra.

Mais tarde, Lucca levou o escudo de volta à armeira. Uma das bordas estava marcada pelos dentes do rato.

Void: Ele fez o que precisava fazer.

Lucca: Amanhã vou conferir a trilha outra vez. Se os rastros mudarem, quero saber antes que alguém entre naquela galeria.

Void: Passe aqui antes de sair.

Quando Lucca foi embora, Void limpou a terra presa ao escudo. Parou ao ouvir uma carroça cruzar a rua, esperou o ruído passar e continuou trabalhando.

Na parede, a corda que sobrara da inspeção ainda estava desenrolada. Void a recolheu com cuidado e a deixou ao lado de duas tochas.

Do lado de fora, Truna seguia trabalhando. Sob o pomar, a galeria permanecia escura. Ainda não se sabia onde ficava o portão, quem havia dado a ordem ou por que o aviso voltara a ser ouvido naquela manhã.

FIM DA ABERTURA

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08 O que a chuva deixou

Na manhã seguinte, Lucca encontrou a corda coberta de gotas. Tinha chovido durante a noite. A água correra pelo barranco e levado parte da terra solta para o caminho, mas a entrada da galeria continuava bloqueada.

Ele comparou os rastros com os que anotara no dia anterior. Havia poucas pegadas novas. Um rato passara junto à corda e voltara para o pomar. Nenhuma marca indicava que alguém tinha atravessado o aviso.

Void chegou com o escudo reparado, duas tochas e a corda que separara na loja.

Void: Alguma mudança?

Lucca: A chuva abriu uma valeta. Os ratos ainda estão por aqui, mas não encontrei outra fuga.

Void olhou para a rachadura no teto da entrada. Um fio de água escorria por ela.

Void: Então continuamos do lado de fora.

Lucca recebeu o escudo e ajustou a correia. Antes de partirem para as ruínas, voltou à pedra marcada. A água havia lavado o barro abaixo do desenho de corrente. Agora aparecia um segundo traço, mais curto, perto da base.

Lucca: Não vi isto ontem.

Void: Copie junto com o resto. Pode fazer parte da marca.

O caçador abriu o papel sobre o escudo. Desenhou o traço na posição exata e acrescentou uma linha para indicar o chão. A pedra não brilhou nem produziu som.

Ao guardar o desenho, Lucca percebeu que Void mantinha os olhos na galeria. Esperou ao lado dela por alguns instantes. Só se ouvia a água pingando.

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09 A indicação no registro

Nabido estava à mesa quando os dois chegaram ao templo. Tinha colocado pequenos pesos nas pontas da folha antiga para evitar que ela se enrolasse. Ao lado, deixara um pedaço de tecido limpo.

Nabido: Encontrei a anotação sobre o pergaminho. A pessoa que o viu descreveu uma caixa estreita, dentro de um nicho na parede das ruínas.

Lucca: E por que não trouxe a caixa?

Nabido virou a folha com cuidado. Uma mancha cobria parte da escrita no verso.

Nabido: O relato termina aqui. Não consigo ler o que vinha depois.

Void: A parede ainda está de pé?

Nabido: Não sei. Procurem três cortes verticais na pedra acima do nicho. Foi o que a pessoa registrou.

Lucca mostrou o desenho atualizado. O guardião aproximou a folha da janela, comparou as marcas e balançou a cabeça.

Nabido: Este traço menor não aparece no meu registro. Não vou tentar completar o desenho por suposição.

Nagore entrou trazendo uma bolsa. Conferiu as duas poções que entregara na véspera e colocou junto delas algumas faixas.

Nagore: Se encontrarem o pergaminho molhado, não tentem desenrolar à força.

Ela mostrou como envolver um objeto comprido no tecido separado por Nabido, sem apertá-lo. Lucca guardou tudo acima das ferramentas, onde a bolsa não receberia tantos golpes.

Antes de saírem, Nabido pediu que retornassem ainda com luz. Void indicou no papel o caminho que pretendiam seguir. Se houvesse atraso, ele saberia onde começar a procurar.

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10 Os três cortes

O caminho para as ruínas estava encharcado. Lucca seguia à frente, desviando das pedras que se moviam sob as botas. Void mantinha distância suficiente para ver onde ele pisava.

Quando chegaram, encontraram folhas acumuladas contra um muro baixo. Além dele, a chuva enchera de água o chão de uma sala sem teto. Um arco quebrado marcava a passagem para outra parte da construção.

Lucca: O nicho pode estar naquela parede.

Void: Vamos olhar por fora primeiro.

Eles contornaram o muro. Não havia pegadas claras no solo coberto de folhas. Void examinou o arco e apontou uma pedra inclinada sobre a passagem. Lucca abandonou a ideia de cruzar por baixo dela.

Do outro lado, um trecho desmoronado permitia observar a parede interna sem entrar na sala. O caçador afastou um ramo que pendia entre as pedras.

Lucca: Três cortes. Estão ali.

Abaixo das marcas havia uma abertura retangular. Parte dela estava escondida por uma laje caída. Um canto escuro aparecia no fundo, acima da água.

Void se agachou junto ao desmoronamento. Testou o apoio de uma pedra com a bota antes de avançar até uma faixa de piso seco.

Void: Venha pelo mesmo lugar. Não encoste na laje.

Lucca passou a bolsa para ela e atravessou. De perto, percebeu que o canto no nicho pertencia a uma caixa. A tampa tinha uma dobradiça partida. Uma tira de tecido saía pela fresta, presa entre a madeira e a pedra.

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11 A caixa no nicho

Lucca tentou alcançar a caixa, mas a laje bloqueava seu braço. Ao mudar de posição, sentiu uma pedra pequena rolar sob o pé. Void segurou a alça do escudo e o ajudou a recuperar o equilíbrio.

Void: Devagar. A caixa não vai sair correndo.

Lucca: Se puxarmos pela tira, talvez venha.

Void: E talvez só venha a tira.

A armeira retirou uma tocha apagada da bolsa e usou o cabo para medir o espaço ao lado da laje. Havia uma abertura por onde Lucca conseguia passar a mão sem tocar na pedra inclinada.

Ele se ajoelhou no trecho seco. Void segurou a bolsa aberta abaixo do nicho. Com os dedos apoiados no fundo da caixa, Lucca a ergueu um pouco e a trouxe na direção da abertura.

A madeira raspou na parede. Uma lasca se soltou, mas o fundo permaneceu inteiro. Os dois pousaram a caixa sobre o tecido.

Dentro havia um rolo escurecido nas bordas. Uma das pontas estava dobrada. Lucca reconheceu, na parte exposta, dois elos desenhados lado a lado.

Lucca: É a mesma marca?

Void: Parece. Nabido vai precisar comparar.

Um ruído curto veio do outro lado do muro. Lucca levantou a cabeça. Esperou, com a mão no punho da espada, enquanto Void envolvia a caixa. Uma pedra rolou até a água e parou.

Nenhum dos dois foi atrás do som. Recolheram as ferramentas e saíram pelo caminho que tinham testado. Na bolsa, a caixa ficou apoiada entre as faixas, longe da lâmina.

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12 Antes de abrir

Nabido afastou os registros da mesa para receber a caixa. Nagore estendeu um pano seco sob ela. Lucca deixou a bolsa no chão e contou como tinham encontrado o nicho.

Nabido: A tampa já estava quebrada?

Lucca: Sim. Não vimos pegadas, mas a chuva pode ter apagado.

Void colocou ao lado da caixa o desenho feito no pomar. A marca no rolo era parecida, embora os elos estivessem unidos por uma linha que não aparecia inteira na pedra.

Nagore tocou o tecido que envolvia o pergaminho e examinou a umidade nos dedos.

Nagore: A borda está molhada. Se abrirmos agora, pode rasgar.

Nabido concordou. Levantou apenas a ponta que já estava solta, apoiando-a sobre o pano. Algumas palavras podiam ser lidas sem forçar a dobra.

Nabido: Aqui diz: antes de abrir, verificar a passagem inferior.

Lucca: Abrir o portão?

Nabido: O começo da frase está enrolado. Ainda não posso afirmar.

Void aproximou o banco da mesa, sem tocar no rolo.

Void: E o restante?

Nabido: Vamos dar tempo para secar. Depois procuramos o lugar citado e conferimos se tem relação com a galeria.

Lucca puxou para perto o papel deixado ao lado da caixa. Ao lado do aviso que copiara no pomar, anotou as palavras recém-lidas. Manteve espaço entre as duas frases.

Do lado de fora, uma carroça parou diante da loja de Nagore. A comerciante saiu para receber a entrega. Void e Lucca ficaram com Nabido, observando a ponta do pergaminho. Pela primeira vez, tinham algo para examinar além do som e da marca na pedra.

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